Introdução
NIST CSF 2.0O que é o NIST Cybersecurity Framework (CSF) 2.0?
O NIST Cybersecurity Framework 2.0 (CSF 2.0), publicado em fevereiro de 2024 pelo National Institute of Standards and Technology (EUA), é um framework voluntário de gestão de risco de cybersecurity. Ele fornece uma estrutura organizada de alto nível — independente de setor, tecnologia e tamanho da organização — para examinar, gerenciar e comunicar riscos de cybersecurity em linguagem compreensível por líderes de negócio, técnicos e reguladores.
A versão 2.0 trouxe mudanças significativas em relação à 1.1 (2018): (i) adicionou a sexta Function, GOVERN, que eleva a estratégia de cyber-risco ao nível de governance executiva; (ii) ampliou a ênfase em cadeia de suprimentos e em plataformas de terceiros; (iii) introduziu as Communities of Interest e formalizou os Informative References como mecanismo de mapeamento para outros frameworks (SP 800-53, ISO 27001, COBIT, etc.); (iv) reforçou o tratamento de privacidade como dimensão integrada, não paralela, à cybersecurity.
O CSF é organizado em três níveis hierárquicos: Functions (GV, ID, PR, DE, RS, RC) no topo, divididas em Categories (ex.: GV.OC, ID.AM) que agrupam Subcategories específicas (ex.: GV.OC-01). Cada subcategoria é uma declaração de resultado ("outcome") que descreve um estado de segurança desejado — não prescreve como alcançá-lo, deixando a organização escolher controles e tecnologias apropriados ao seu contexto.
Por que aplicar a um estudo de caso?
Ler o CSF em abstrato é insuficiente: as declarações de outcome são genéricas por design. Para que façam sentido, precisam ser traduzidas em ações, tecnologias e decisões concretas dentro de um contexto real. Este documento faz exatamente isso: para cada uma das 138 subcategorias do CSF 2.0, apresenta um exemplo concreto de implementação em uma clínica de diagnóstico por imagem fictícia, mas realista.
O estudo de caso não substitui a leitura do framework oficial (NIST CSWP 29) — ele a complementa, mostrando como cada declaração genérica se manifesta no dia-a-dia de uma organização de saúde brasileira sujeita à LGPD, às resoluções do CFM e à regulação da ANVISA.
Como navegar neste documento
Use o índice à esquerda para pular diretamente a qualquer Function, Category ou Subcategory. O campo de filtro no topo do índice permite localizar subcategorias por ID (ex.: GV.SC mostra apenas a cadeia de suprimentos) ou por texto livre. Cada categoria é colapsável/expandível clicando no cabeçalho. Botões de copiar estão disponíveis nas tabelas de mapeamento. O modo escuro pode ser alternado no canto superior direito e persiste entre sessões.
GOVERN
GV · 6 categorias · 39 subcategorias
📄 nist-govern.jpg
IDENTIFY
ID · 3 categorias · 22 subcategorias
📄 nist-identify.jpg
PROTECT
PR · 5 categorias · 27 subcategorias
📄 nist-protect.jpg
DETECT
DE · 2 categorias · 19 subcategorias
📄 nist-detect.jpg
RESPOND
RS · 4 categorias · 21 subcategorias
📄 nist-respond.jpg
RECOVER
RC · 2 categorias · 10 subcategorias
📄 nist-recover.jpg
CSF Profiles
Current vs Target
📄 nist-profiles.jpg
O que é um CSF Profile?
Um Profile é o alinhamento entre as Functions, Categories e Subcategories do CSF e os requisitos de negócio, objetivos de risco e requisitos regulatórios de uma organização. É uma representação declarativa da postura desejada — não mede conformidade, descreve expectativa.
Existem dois perfis fundamentais:
- Current Profile: como a organização está hoje, em termos dos outcomes do CSF que alcança consistentemente.
- Target Profile: como a organização quer estar, em horizonte definido (tipicamente 12-36 meses).
A comparação entre Current e Target gera o gap analysis, que vira insumo direto para o POA&M (Plan of Action and Milestones). É uma prática saudável revisar ambos os perfis pelo menos anualmente, ou após mudanças significativas (incidente relevante, nova regulação, fusão/aquisição, mudança de modelo de negócio).
📍 Current Profile Tier 3 — Repeatable
Estado em dezembro/2024, validado por assessment interno conduzido pelo CISO com revisão do Conselho.
- GOVERN (GV): estratégia formal aprovada; PSI v4.0 em vigor; Comitê de Risco ativo mensal; SCRM para 12 fornecedores críticos.
- IDENTIFY (ID): CMDB atualizado; OCTAVE Allegro para avaliação de risco; POA&M com 6 itens críticos em andamento.
- PROTECT (PR): MFA em PACS/RIS/VPN/billing; RBAC implementado; EDR em 100% dos endpoints; backups 3-2-1 testados mensalmente.
- DETECT (DE): SIEM (Wazuh) com 87 fontes; SOC 24x7 (interno diurno + IBM terceirizado noturno); UEBA ativo; MTTD 22min.
- RESPOND (RS): PRI v3.0 com 8 runbooks por cenário; CSIRT treinado; tabletop anual; MTTR 11h.
- RECOVER (RC): PCN testado anualmente; RTO PACS 4h cumprido em 100% dos testes; comunicação pós-incidente estruturada.
🎯 Target Profile Tier 4 — Adaptable
Alvo para dezembro/2026, com roadmap bianual e orçamento aprovado.
- GOVERN (GV): estratégia adaptativa com revisão contínua (não anual); SCRM estendido a 30 fornecedores; integração com ERM corporativo.
- IDENTIFY (ID): threat modeling STRIDE por mudança; risk quantification FAIR; vendor risk scoring automatizado.
- PROTECT (PR): zero-trust arquitetura completa; MFA passwordless (FIDO2); criptografia ponta-a-ponta para laudos; hardening CIS Level 2 em 100% dos servidores.
- DETECT (DE): XDR com correlação cross-funcional; SOC interno 24x7 (encerrar terceirização); threat hunting proativo semanal; MTTD < 10min.
- RESPOND (RS): automação SOAR para 60% dos playbooks; compartilhamento automático de IoCs via ISAC; exercícios conjuntos com hospitais parceiros trimestralmente.
- RECOVER (RC): RTO PACS 1h (cluster multi-região); restore automatizado e validado; cyber-insurance com cobertura de R$ 5M.
Matriz de Maturidade: Function × Tier (Current vs Target)
| Function | Tier 1 — Partial | Tier 2 — Risk Informed | Tier 3 — Repeatable | Tier 4 — Adaptable |
|---|---|---|---|---|
| GOVERN (GV) | ● Atual | ◎ Alvo | ||
| IDENTIFY (ID) | ● Atual | ◎ Alvo | ||
| PROTECT (PR) | ● Atual | ◎ Alvo | ||
| DETECT (DE) | ● Atual | ◎ Alvo | ||
| RESPOND (RS) | ● Atual | ◎ Alvo | ||
| RECOVER (RC) | ● Atual | ◎ Alvo |
DETECT está mais próximo do Tier 2 porque ainda depende parcialmente de SOC terceirizado para cobertura 24x7; migrar para Tier 4 requer SOC interno full-time e threat hunting proativo.
📋 POA&M — Plan of Action and Milestones (2025-2026)
| ID | Gap (CSF Subcat) | Ação | Owner | Prazo | Investimento | Status |
|---|---|---|---|---|---|---|
POA-001 | GV.RM-06 (priorização de risco) | Adotar metodologia FAIR para quantificação financeira de risco | CISO | Q2/2025 | R$ 80k | Em andamento |
POA-002 | ID.RA-08 (vuln disclosure) | Lançar bug bounty privado via HackerOne | CISO | Q1/2025 | R$ 30k/ano | Concluído |
POA-003 | PR.AA-05 (zero-trust) | Implementar microsegmentação via Cisco Tetration | TI/Redes | Q3/2025 | R$ 220k | Em licitação |
POA-004 | PR.AA-02 (MFA passwordless) | Migrar PACS/RIS para FIDO2 (YubiKey) | TI/Identidade | Q4/2025 | R$ 90k | Planejado |
POA-005 | DE.CM-01 (monitoramento) | Internalizar SOC noturno (encerrar terceirização IBM) | CISO | Q2/2026 | R$ 350k/ano | Planejado |
POA-006 | DE.AE-03 (threat intel) | Contratar analista de threat hunting dedicado | CISO | Q1/2026 | R$ 180k/ano | Em recrutamento |
POA-007 | RS.MA-04 (exercícios) | Participar de Cyber Exercise conjunto ISAC Saúde | CSIRT | Anual | R$ 15k | Recorrente |
POA-008 | RC.RP-01 (RTO PACS) | Implementar cluster PACS multi-região com failover automático | TI/Infra | Q4/2026 | R$ 480k | Em estudo |
POA-009 | GV.SC-04 (monitoramento fornecedores) | Implementar plataforma de TPRM (BitSight ou similar) | CISO/Compras | Q3/2025 | R$ 60k/ano | Em avaliação |
POA-010 | PR.DS-01 (criptografia) | Migrar laudos para criptografia ponta-a-ponta com chaves gerenciadas por paciente | TI/PACS | Q2/2026 | R$ 140k | Planejado |
CSF Tiers
Tiers 1-4
📄 nist-tiers.jpg
Como funcionam os Tiers
Tiers descrevem o grau de maturidade com que uma organização gerencia o cyber-risco — não o grau de maturidade técnica dos controles. Os quatro níveis (Partial, Risk Informed, Repeatable, Adaptable) aplicam-se a cada Function individualmente, permitindo que a organização tenha, por exemplo, PROTECT em Tier 3 mas DETECT em Tier 2.
Tier não é certificação nem selo — é auto-avaliação. Não há auditoria externa exigida. O valor está na honestidade da auto-avaliação e no uso dela como ferramenta de planejamento (gap → ação → recurso → prazo).
Tier 1 — Partial
Risco ad-hoc, reativo, sem estratégia formal.
- Sem estratégia de cyber-risco documentada.
- Controles implementados caso a caso, sem visão sistêmica.
- Resposta a incidentes é improvisada.
- Cybersecurity vista como problema de TI.
Tier 2 — Risk Informed
Estratégia definida mas não consistente; consciência de risco.
- Estratégia de cyber-risco documentada.
- Risco é identificado mas nem sempre priorizado.
- Controles implementados parcialmente.
- Plano de resposta existe mas não é exercitado.
Tier 3 — Repeatable
Estratégia formal, executada consistentemente, com melhoria implícita.
- Estratégia de cyber-risco aprovada pela liderança.
- Política e POA&M atualizados formalmente.
- Controles implementados e monitorados.
- Plano de resposta exercitado regularmente.
- Cybersecurity tem owner no nível executivo (CISO).
- Risco ainda parcialmente qualitativo (sem FAIR).
- SOC terceirizado para cobertura 24x7.
- Threat hunting ainda reativo.
- Compartilhamento de IoCs é manual.
Tier 4 — Adaptable
Estratégia adaptativa, previsão de mudanças, melhoria contínua explícita.
- Estratégia adaptativa, revisada continuamente.
- Risco quantificado financeiramente (FAIR).
- Controles baseados em threat modeling e predição.
- Resposta automatizada (SOAR) para a maioria dos cenários.
- Threat hunting proativo e compartilhamento formal via ISAC.
- Cybersecurity integrada ao ERM corporativo.
- Cadeia de suprimentos gerenciada por scoring automatizado.
Progresso por Function — Atual (Tier 3) vs Alvo (Tier 4)
Recursos Online e Informative References
MapeamentosO que são Informative References?
Informative References são mapeamentos publicados pelo NIST (e pela comunidade) entre as subcategorias do CSF e seções específicas de outros frameworks, padrões e guias. Elas não são normativas — são sugestões de "como você poderia implementar este outcome em framework X".
Para cada subcategoria do CSF 2.0, existem tipicamente entre 1 e 6 Informative References, cobrindo: controles do SP 800-53 (federal dos EUA), práticas do ISO 27001/27002, controles do COBIT 2019, objetivos do CIS Controls v8, e mais. O NIST mantém um catálogo online em csf.tools atualizado pela comunidade.
Para o setor saúde, há também mapeamentos específicos para HHS Cybersecurity Performance Goals, HITRUST CSF, e o catálogo do HHS 405(d) HICP. Para IA, o NIST publicou o AI RMF (AI Risk Management Framework, 2023) com mapeamento cruzado para CSF.
Mapeamento CSF 2.0 ↔ SP 800-53 Rev. 5 (exemplos selecionados)
| CSF Subcategoria | SP 800-53 Control | Descrição do Controle |
|---|---|---|
GV.OC-03 | PM-15 | Contacts with Authorities |
GV.RM-01 | PM-9 | Risk Management Strategy |
GV.RR-02 | PM-2 | Information Security Program Leadership Role |
GV.SC-03 | SR-3 | Supply Chain Controls and Processes |
ID.AM-01 | CM-8 | System Component Inventory |
ID.RA-01 | RA-3 | Risk Assessment |
PR.AA-02 | IA-2 | Identification and Authentication (Organizational Users) |
PR.AA-04 | AC-6 | Least Privilege |
PR.DS-01 | SC-28 | Protection of Information at Rest |
PR.PS-02 | SI-2 | Flaw Remediation |
DE.CM-01 | SI-4 | System Monitoring |
DE.AE-02 | SI-4(5) | System Monitoring | Complaint Activity Detection |
RS.MA-01 | IR-8 | Incident Response Plan |
RS.CO-02 | IR-6 | Incident Reporting |
RC.RP-01 | CP-10 | System Recovery and Reconstitution |
RC.CO-03 | CP-2(4) | Contingency Plan | Recovery and Reconstitution |
Mapeamento para Frameworks Complementares
| CSF Componente | SP 800-37 (RMF) | PRAM | AI RMF | ISO 27001/27002 | CIS Controls v8 |
|---|---|---|---|---|---|
GV.RM — Estratégia de Risco | Step 1: Prepare | Frame Risk | GOVERN (Map) | Cláusula 6.1 (Planning) | IG3 (Governance) |
GV.OC — Contexto Organizacional | Step 1: Prepare | Frame Risk | GOVERN (Context) | Cláusula 4 (Context) | IG2 (Governance) |
GV.SC — Cadeia de Suprimentos | Step 1 + Step 5 | Assess Risk | GOVERN (Suppliers) | A.5.19 (Supplier relationships) | S1 (Supply Chain) |
ID.RA — Avaliação de Risco | Step 2: Categorize | Assess Risk | MEASURE (Track) | A.8.2 (Risk assessment) | IG1 (Asset inventory) |
PR.AA — Identidade e Acesso | Step 3: Implement | Respond Risk | MEASURE (Track) | A.5.15-5.18 (Access control) | S6 (Access Control) |
PR.DS — Segurança de Dados | Step 3: Implement | Respond Risk | MEASURE (Track) | A.8.11-8.13 (Data security) | S3 (Data Protection) |
DE.CM — Monitoramento | Step 4: Assess | Monitor Risk | MEASURE (Track) | A.8.16 (Monitoring) | S8 (Audit Log Mgmt) |
RS.MA — Gerenciamento de Incidentes | Step 6: Sustain | Respond Risk | MANAGE (Act) | A.5.24-5.28 (Incident mgt) | S17 (Incident Response) |
RC.RP — Recuperação | Step 6: Sustain | Respond Risk | MANAGE (Act) | A.5.29-5.30 (BC/DR) | S11 (Data Recovery) |
Recursos Oficiais NIST e da Comunidade
| Recurso | Fonte | Uso na Clínica |
|---|---|---|
| NIST CSWP 29 — Cybersecurity Framework 2.0 | NIST (2024) | Documento-base deste estudo de caso |
| NIST SP 800-37 Rev. 2 — RMF | NIST | APOIO para futura certificação FEDRAMP-like |
| NIST SP 800-53 Rev. 5 | NIST | Catálogo de controles para seleção no POA&M |
| NIST SP 800-30 Rev. 1 | NIST | Guia para avaliação de risco (ID.RA) |
| NIST SP 800-61 Rev. 2 | NIST | Guia de resposta a incidentes (RS) |
| NIST SP 800-160 v1 — Systems Security Engineering | NIST | Engenharia de segurança em novos desenvolvimentos |
| NIST IR 8286 — Enterprise Risk Management | NIST | Integração com ERM corporativo (GV.RM-01) |
| NIST AI RMF 1.0 (2023) | NIST | Governance de IA quando adotar ferramentas de IA clínica |
| NIST PRAM — Privacy Risk Assessment Methodology | NIST | Avaliação de risco de privacidade (privacidade) |
| NIST CSF 2.0 Quick Start Guides | NIST | Guias de implementação por perfil (pequena empresa, enterprise, etc.) |
| NIST CSF 2.0 Reference Tool (csf.tools) | NIST + comunidade | Consulta online de Informative References |
| CIS Controls v8 | Center for Internet Security | Catálogo priorizado de 18 controles técnicos |
| MITRE ATT&CK | MITRE Corporation | Matriz de TTPs para detecção e resposta |
| HIMSS Cybersecurity | HIMSS | Benchmarks específicos para saúde |
| CERT.br | NIC.br | Threat intel brasileiro, alertas e suporte a incidentes |
| ISAC Saúde-Brasil | Setor saúde | Comparthamento de IoCs entre hospitais |
Privacidade e o CSF
Fig. 6 — Venn
📄 nist-privacy.jpg
Por que privacidade está no CSF?
O CSF 2.0 trata explicitamente a privacidade como dimensão integrada à cybersecurity, não paralela. A Figura 6 do documento original ilustra essa relação por meio de um diagrama de Venn com três zonas:
- Riscos de cybersecurity apenas — eventos que comprometem confidencialidade, integridade ou disponibilidade de sistemas e dados, sem envolver necessariamente dados pessoais ou danos à privacidade de indivíduos.
- Riscos de privacidade apenas — problemas decorrentes do processamento de dados pessoais (coleta excessiva, retenção longa, compartilhamento sem base legal), independentes de haver incidente técnico de cybersecurity.
- Interseção — eventos de cybersecurity que resultam em dano à privacidade de indivíduos. É a zona mais crítica: um ataque técnico vira um problema de pessoas.
Para a Clínica, a interseção é onde residem os riscos mais graves: vazamento de laudos por ransomware com exfiltração não é apenas um incidente técnico — é um incidente de privacidade com notificação obrigatória à ANPD e aos pacientes afetados (LGPD art. 48).
Interseção: Cybersecurity + Privacidade
Passe o mouse sobre cada zona do diagrama (ou toque, em mobile) para ver exemplos concretos do dia-a-dia da Clínica.
PRAM: Tipos de Dano ao Indivíduo (NIST IR 8062)
O NIST Privacy Risk Assessment Methodology (PRAM) cataloga sete categorias de dano potencial que um problema de privacidade pode causar a um indivíduo. A Clínica usa essa lista durante a avaliação de risco de privacidade.
| Tipo de Dano | Descrição | Exemplo na Clínica |
|---|---|---|
| Dano físico | Lesão corporal ou dano à saúde | Vazamento de laudo oncologico que leve a agressão por familiar da vítima |
| Dano psicológico | Angústia, estresse, humilhação, perda de dignidade | Paciente descobre que laudo íntimo foi visto por funcionário não autorizado |
| Dano reputacional | Dano à imagem pública ou social | Vazamento de imagem de paciente público vira manchete |
| Dano financeiro | Perda de dinheiro, crédito, ou capacidade econômica | Fraude usando dados de paciente vazados |
| Perda de oportunidade | Perda de emprego, moradia, seguro, ou benefício | Seguradora negando cobertura após vazamento de diagnóstico pré-existente |
| Discriminação | Tratamento diferenciado injusto | Convênio recusando procedimento com base em imagem vazada |
| Perda de autonomia | Restrição da liberdade de escolha | Paciente obrigado a mudar médico/tratamento por exposição pública |
Mapeamento LGPD ↔ CSF (GV.OC-03 e correlatos)
| CSF Subcategoria | Artigo LGPD | Descrição | Ação na Clínica |
|---|---|---|---|
GV.OC-03 | Art. 1º, 6º | Princípios: finalidade, adequação, necessidade | Inventário de dados pessoais por finalidade |
GV.OC-05 | Art. 7º | Bases legais para tratamento | Cláusula contratual com bases legais identificadas |
GV.PO-01 | Art. 46 | Medidas de segurança | PSI v4.0 alinhada com LGPD |
GV.RR-05 | Art. 41 | Encarregado (DPO) | DPO nomeado e comunicado à ANPD |
ID.AM-06 | Art. 37 | Registro de operações | Inventário de dados pessoais (ROPA) |
PR.AA-04 | Art. 7º, IV | Titular controle de acesso | Implementação de direitos do titular |
PR.DS-01 | Art. 46 | Segurança dos dados | Criptografia TDE + TLS 1.3 + BitLocker |
RS.CO-02 | Art. 48 | Comunicação de incidente | Notificação à ANPD em prazo razoável |
GV.SC-03 | Art. 28 | Operadores (terceiros) | Contratos com cláusulas LGPD |
GV.SC-07 | Art. 33 | Transferência internacional | Cláusulas contratuais padrão para cloud estrangeira |
Glossário
52 termos| Termo | Definição |
|---|---|
| Category (Categoria) | Subdivisão de uma Function no CSF. Ex.: GV.OC (Organizational Context), ID.AM (Asset Management). Cada Category agrupa Subcategories relacionadas. |
| Subcategory (Subcategoria) | Declaração específica de um outcome desejado dentro de uma Category. Ex.: GV.OC-01, ID.AM-08. É o nível mais granular do CSF e a base para Profiles. |
| Function | Nível mais alto da hierarquia do CSF 2.0. São seis: GOVERN (GV), IDENTIFY (ID), PROTECT (PR), DETECT (DE), RESPOND (RS), RECOVER (RC). |
| Profile (Perfil) | Representação dos outcomes do CSF que uma organização está alcançando (Current Profile) ou deseja alcançar (Target Profile). Base para gap analysis e POA&M. |
| Tier | Nível de maturidade da gestão de cyber-risco: Tier 1 (Partial), Tier 2 (Risk Informed), Tier 3 (Repeatable), Tier 4 (Adaptable). Aplicado por Function. |
| Informative Reference | Mapeamento publicado entre uma subcategoria do CSF e seções de outros frameworks (SP 800-53, ISO 27001, COBIT, etc.). Não-normativo. |
| POA&M | Plan of Action and Milestones — documento que lista gaps identificados, ações para fechá-los, owners, prazos e investimentos. Derivado do gap analysis entre Current e Target Profile. |
| Current Profile | Fotografia dos outcomes do CSF que a organização alcança hoje, consistentemente. Construído por self-assessment ou assessment externo. |
| Target Profile | Representação dos outcomes do CSF que a organização quer alcançar, em horizonte definido. Guia o roadmap e o orçamento. |
| Gap Analysis | Comparação entre Current e Target Profile que identifica deficiências e gera o POA&M. |
| Cybersecurity Risk | Risco de operações adversas, perdas financeiras, dano reputacional ou outros impactos decorrentes de comprometimento da confidencialidade, integridade ou disponibilidade de sistemas e dados. |
| Privacy Risk | Risco de dano a indivíduos decorrente do processamento de dados pessoais — independentemente de haver incidente técnico de cybersecurity. |
| Privacy Risk Intersect | Zona onde eventos de cybersecurity resultam em dano à privacidade. Ex.: ransomware com exfiltração de dados pessoais. |
| PRAM | Privacy Risk Assessment Methodology — metodologia do NIST para avaliação de risco de privacidade. Documentada em NIST IR 8062. |
| AI RMF | AI Risk Management Framework — framework do NIST (2023) para gestão de risco em sistemas de IA. Mapeia-se ao CSF via GV, IDENTIFY e MEASURE. |
| Outcome (Resultado) | Declaração do estado desejado para uma subcategoria do CSF, sem prescrever como alcançá-lo. Ex.: 'Identidades são proverificadas durante o acesso'. |
| Implementation Example | Exemplo concreto de como uma organização implementou um outcome. Catálogo mantido pela comunidade no NIST CSF site. |
| Quick Start Guide (QSG) | Documento curto do NIST com passos básicos para começar com CSF, segmentado por perfil (pequena empresa, enterprise, etc.). |
| Community of Interest | Grupo de organizações que compartilham experiências e Informative References específicas de um setor (saúde, finanças, energia, etc.). |
| Supply Chain Risk Management (SCRM) | Disciplina de identificar, avaliar, mitigar e monitorar riscos introduzidos por fornecedores, parceiros e tecnologias de terceiros. |
| Threat Intelligence | Informação sobre ameaças (TTPs, IoCs, atores) coletada de fontes internas e externas, usada para melhorar detecção e resposta. |
| IoC (Indicator of Compromise) | Artefato observável que indica comprometimento — IP, hash, domínio, registry key, etc. Compartilhado entre organizações via ISACs. |
| TTP (Tactics, Techniques, Procedures) | Padrões de comportamento de adversários, conforme taxonomia MITRE ATT&CK. Mais duráveis que IoCs. |
| MTTD | Mean Time To Detect — tempo médio entre ocorrência de incidente e sua detecção. |
| MTTR | Mean Time To Respond/Recover — tempo médio entre detecção e encerramento do incidente. |
| RTO (Recovery Time Objective) | Tempo máximo aceitável entre indisponibilidade e retorno à operação. Ex.: PACS RTO 4h. |
| RPO (Recovery Point Objective) | Idade máxima aceitável dos dados recuperados. Ex.: RPO 24h significa que se pode perder até 24h de dados. |
| CSIRT | Computer Security Incident Response Team — equipe formalmente designada para responder a incidentes de cybersecurity. |
| SOC | Security Operations Center — centro de monitoramento contínuo, tipicamente 24x7, que detecta e tria alertas. |
| SIEM | Security Information and Event Management — plataforma que agrega logs de múltiplas fontes, correlaciona eventos e gera alertas. |
| EDR | Endpoint Detection and Response — solução de monitoramento avançado de endpoints com detecção comportamental e resposta automatizada. |
| XDR | Extended Detection and Response — evolução do EDR que correlaciona dados de endpoints, rede, cloud e identidade. |
| SOAR | Security Orchestration, Automation and Response — plataforma que automatiza playbooks de resposta a incidentes. |
| UEBA | User and Entity Behavior Analytics — análise de comportamento anômalo de usuários e entidades via ML. |
| FIM | File Integrity Monitoring — monitoramento de alterações em arquivos críticos (binários, configs). |
| MFA | Multi-Factor Authentication — autenticação que combina dois ou mais fatores (algo que você sabe, tem, é). |
| RBAC | Role-Based Access Control — modelo de controle de acesso baseado em papéis organizacionais. |
| Zero-Trust | Modelo de segurança que assume que nenhum usuário/dispositivo é confiável por padrão, exigindo verificação contínua. |
| Tabletop Exercise | Exercício de resposta a incidentes conduzido em mesa, sem execução técnica, focado em tomada de decisão. |
| Purple Team | Exercício em que Red Team (atacante simulado) e Blue Team (defensor) colaboram para melhorar defesa. |
| ANPD | Autoridade Nacional de Proteção de Dados — órgão brasileiro regulador da LGPD. |
| LGPD | Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei 13.709/2018) — legislação brasileira de proteção de dados. |
| DPO | Data Protection Officer (Encarregado) — figura obrigatória da LGPD responsável por interface com ANPD e titulares. |
| DPIA | Data Protection Impact Assessment — avaliação de impacto à privacidade, obrigatória em tratamentos de alto risco (LGPD art. 38). |
| ISAC | Information Sharing and Analysis Center — entidade setorial para compartilhamento de threat intelligence. |
| PACS | Picture Archiving and Communication System — sistema de armazenamento e distribuição de imagens médicas (DICOM). |
| RIS | Radiology Information System — sistema de gestão de workflow radiológico (laudos, agendas, billing). |
| DICOM | Digital Imaging and Communications in Medicine — padrão para armazenamento e transmissão de imagens médicas. |
| HL7 | Health Level Seven — padrão de troca de informações clínicas e administrativas entre sistemas de saúde. |
| HSM | Hardware Security Module — dispositivo físico para geração, armazenamento e uso de chaves criptográficas. |
| ICP-Brasil | Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira — AC raiz governamental para certificação digital no Brasil. |
| RACI | Matriz de responsabilidades: Responsible, Accountable, Consulted, Informed. |